Quando a estética do telhado entra em conflito com a técnica
Principalmente em função das grandes mudanças climáticas que estamos enfrentando nas últimas décadas, não só no Brasil, mas em diversas partes do mundo, as condições de chuva e vento têm colocado à prova algumas soluções tradicionalmente utilizadas nas edificações.
Um problema que encontramos com bastante frequência está relacionado à falta de inclinação necessária nos telhados residenciais e de grandes condomínios.
Quando a inclinação mínima recomendada para determinado tipo de telha não é respeitada, aumentam significativamente os riscos de infiltrações, transbordamentos e outras patologias.
Além disso, não é raro encontrarmos situações em que as inclinações mínimas previstas para determinadas coberturas simplesmente não são seguidas durante a execução.
Em alguns casos, isso acontece por falta de conhecimento técnico. Em outros, infelizmente, por falta de profissionalismo. Porém, existe ainda uma terceira situação: a busca pela estética.
E é justamente aí que engenharia e arquitetura precisam conversar.
A inclinação mínima não é apenas uma recomendação
A inclinação de um telhado não existe apenas para deixar a cobertura visualmente adequada. Ela possui uma função técnica fundamental: permitir o correto escoamento da água da chuva.
Cada tipo de telha possui características próprias e, consequentemente, uma inclinação mínima recomendada pelo fabricante ou pelo sistema construtivo.
Portanto, não existe uma única inclinação que possa ser aplicada indiscriminadamente a todos os telhados.
Quando essa condição é ignorada, a água pode permanecer por mais tempo sobre a cobertura, encontrar pontos de sobreposição das telhas ou ser conduzida de maneira inadequada.
Como resultado, surgem infiltrações que muitas vezes só aparecem depois de a obra estar concluída.
E o problema não termina na telha.
A água que consegue ultrapassar a cobertura pode atingir madeiramentos, estruturas metálicas, forros, revestimentos e instalações, transformando um detalhe aparentemente pequeno em uma patologia de difícil e, muitas vezes, cara correção.
Quando a arquitetura exige um telhado mais baixo
Muitos telhados fazem parte da própria arquitetura da residência.
Por isso, o projeto pode prever uma cobertura com linhas mais horizontais e uma inclinação inferior àquela normalmente recomendada para algumas telhas.
Nesse momento surge um conflito: a arquitetura precisa atender à proposta estética do projeto, mas a engenharia precisa garantir desempenho e durabilidade.
Existem algumas opções de telhas que permitem trabalhar com inclinações menores, como as telhas do sistema shingle, por exemplo. Entretanto, nem sempre esse tipo de telha combina com a linguagem arquitetônica desejada para a residência.
Então, o que fazer?
O “pulo do gato”: uma segunda barreira contra a água
Quando o projeto arquitetônico exige um telhado com baixa inclinação, uma das soluções técnicas possíveis é utilizar uma laje impermeabilizada sob o telhado, funcionando como uma segunda barreira de proteção.
Nesse caso, a laje precisa ser corretamente projetada, com caimento adequado em direção aos ralos e um sistema de drenagem dimensionado para conduzir a água de maneira eficiente.
Dessa forma, conseguimos conciliar duas necessidades que, à primeira vista, parecem incompatíveis: manter a estética desejada pela arquitetura e, ao mesmo tempo, criar uma solução técnica capaz de reduzir os riscos de infiltração.
Isso também proporciona maior liberdade para trabalhar com diferentes tipos de telhas e soluções arquitetônicas, mesmo quando a inclinação aparente da cobertura é inferior à mínima recomendada para aquele sistema.
Mas atenção à estrutura do telhado
Existe, entretanto, um ponto que não pode ser esquecido: a estrutura que estará sob esse telhado.
Se a estratégia adotada prevê uma cobertura com uma segunda barreira impermeabilizada, não podemos simplesmente ignorar os efeitos de eventuais infiltrações.
Uma estrutura de madeira, por exemplo, pode sofrer com a presença de umidade, aumentando o risco de deterioração e comprometendo sua durabilidade.
Por isso, o sistema estrutural precisa fazer parte da decisão desde o início do projeto.
Uma alternativa interessante para esse tipo de solução é a utilização de estruturas de alumínio, que podem oferecer bom desempenho e durabilidade quando corretamente dimensionadas, especificadas e executadas.
Engenharia e arquitetura precisam trabalhar juntas
No final, a questão não é escolher entre estética ou técnica.
O verdadeiro desafio é encontrar uma solução em que as duas trabalhem juntas.
É exatamente por isso que a conversa entre engenharia e arquitetura deve começar ainda na fase de projeto.
Quanto mais cedo as disciplinas forem compatibilizadas, maiores são as possibilidades de encontrar soluções tecnicamente adequadas sem comprometer a proposta arquitetônica.
Na LM Alto Padrão, acreditamos que uma boa obra começa muito antes do canteiro.
Projeto, desempenho, execução, qualidade e durabilidade precisam caminhar juntos.
É essa integração entre engenharia e arquitetura que permite desenvolver soluções de cobertura mais seguras, duráveis e compatíveis com a proposta estética de cada projeto.
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